Dívida Estratégica
13 de janeiro de 20268 min de leituraEquipe lifin

Tabela SAC ou PRICE: Qual Escolher no Seu Financiamento?

A escolha entre SAC e PRICE pode significar uma diferença de R$ 200 mil em juros. Entenda como cada sistema funciona.

Você está fechando o financiamento do imóvel dos sonhos. O gerente do banco pergunta: "Prefere SAC ou PRICE?" Você olha para ele com cara de quem não entendeu a pergunta. Ele explica rapidamente, você escolhe no impulso, e só anos depois descobre que poderia ter economizado dezenas de milhares de reais.

Essa cena se repete milhares de vezes por dia no Brasil. A escolha entre os sistemas de amortização SAC e PRICE é uma das decisões financeiras mais importantes da vida de muita gente — e uma das menos compreendidas.

O que é amortização, afinal

Antes de comparar SAC e PRICE, precisamos entender o que é amortização. Quando você faz um financiamento, cada parcela que paga é dividida em duas partes:

Amortização: A parte que efetivamente reduz sua dívida. É o "principal" sendo pago.

Juros: A remuneração do banco pelo dinheiro emprestado. Incide sobre o saldo devedor.

A diferença entre SAC e PRICE está na forma como essas duas partes são distribuídas ao longo do tempo.

Como funciona a Tabela SAC

SAC significa Sistema de Amortização Constante. O nome já entrega o segredo: a amortização é sempre igual em todas as parcelas.

Se você financiou R$ 300.000 em 360 meses (30 anos), a amortização mensal será R$ 300.000 ÷ 360 = R$ 833,33. Esse valor não muda nunca.

O que muda são os juros. Como eles incidem sobre o saldo devedor, e o saldo vai diminuindo a cada mês, os juros também diminuem. Resultado: as parcelas começam altas e vão caindo ao longo do tempo.

Exemplo prático (SAC):

Financiamento: R$ 300.000 | Prazo: 360 meses | Taxa: 10% ao ano

PeríodoAmortizaçãoJurosParcela Total
Mês 1R$ 833R$ 2.500R$ 3.333
Mês 60R$ 833R$ 2.083R$ 2.916
Mês 180R$ 833R$ 1.250R$ 2.083
Mês 360R$ 833R$ 7R$ 840

A primeira parcela é quase quatro vezes maior que a última. Isso exige fôlego financeiro no início, mas alivia muito no final.

Como funciona a Tabela PRICE

PRICE (ou Sistema Francês de Amortização) funciona de forma oposta. As parcelas são fixas do início ao fim. O que muda é a composição interna.

No começo, a maior parte da parcela é juros e pouco é amortização. Com o tempo, essa proporção se inverte: mais amortização, menos juros.

Exemplo prático (PRICE):

Financiamento: R$ 300.000 | Prazo: 360 meses | Taxa: 10% ao ano

PeríodoAmortizaçãoJurosParcela Total
Mês 1R$ 134R$ 2.500R$ 2.634
Mês 60R$ 221R$ 2.413R$ 2.634
Mês 180R$ 597R$ 2.037R$ 2.634
Mês 360R$ 2.612R$ 22R$ 2.634

A parcela é sempre R$ 2.634. Mais fácil de planejar, mais confortável no início. Mas repare: no primeiro mês, você amortiza apenas R$ 134 da dívida. No SAC, seriam R$ 833.

A comparação que importa: quanto você paga no total

A grande diferença entre os dois sistemas aparece quando você soma tudo que vai pagar ao longo do financiamento:

SistemaPrimeira ParcelaÚltima ParcelaTotal PagoTotal de Juros
SACR$ 3.333R$ 840R$ 751.250R$ 451.250
PRICER$ 2.634R$ 2.634R$ 948.240R$ 648.240

A diferença é de quase R$ 200.000 em juros. Isso mesmo: duzentos mil reais.

Por que isso acontece? Porque no SAC você amortiza mais rápido no início, quando o saldo devedor é maior. Menos saldo devedor significa menos juros incidindo. É matemática pura.

Quando o SAC é a melhor escolha

O SAC faz mais sentido quando:

Você tem renda estável e folga no orçamento. As parcelas iniciais são mais altas, então você precisa de capacidade de pagamento desde o primeiro mês.

Você planeja ficar com o imóvel por muito tempo. Quanto mais longo o prazo, maior a economia do SAC em relação ao PRICE.

Você quer pagar menos juros no total. Se minimizar o custo total é sua prioridade, SAC é quase sempre melhor.

Sua renda tende a diminuir no futuro. Se você está no auge da carreira e espera reduzir o ritmo mais para frente, parcelas decrescentes fazem sentido.

Quando o PRICE pode fazer sentido

O PRICE não é necessariamente uma má escolha. Ele faz sentido quando:

Sua renda atual não comporta a parcela inicial do SAC. Se a diferença entre as parcelas iniciais determina se você consegue ou não o financiamento, PRICE pode ser a única opção.

Você pretende quitar antecipadamente. Se seu plano é amortizar o financiamento com recursos extras (13º, bônus, FGTS), a diferença entre os sistemas diminui.

Você vai investir a diferença. Se a parcela do PRICE é R$ 700 menor que a do SAC e você realmente investir essa diferença todo mês, pode compensar parte dos juros extras.

O prazo é curto. Em financiamentos de 3 a 5 anos (como veículos), a diferença entre os sistemas é menos dramática.

O fator psicológico

Existe um elemento que os números não capturam: o conforto psicológico.

Parcelas fixas são mais fáceis de planejar. Você sabe exatamente quanto vai pagar pelos próximos 30 anos. Não há surpresas, não há necessidade de recalcular o orçamento.

Parcelas decrescentes exigem mais atenção. Você precisa lembrar que o valor muda todo mês (ou pelo menos todo ano, se considerar a correção pela TR).

Para algumas pessoas, a previsibilidade do PRICE vale o custo extra. Para outras, a economia do SAC compensa o trabalho adicional de planejamento.

A armadilha da "parcela que cabe no bolso"

Bancos e corretores frequentemente empurram o PRICE porque a parcela inicial é menor. "Cabe no seu bolso", dizem. E tecnicamente, é verdade.

Mas essa lógica tem um problema: ela foca no curto prazo e ignora o custo total. É como escolher um emprego pelo salário do primeiro mês, sem olhar para o plano de carreira.

Se a única forma de você conseguir o financiamento é pelo PRICE, talvez o imóvel esteja acima das suas possibilidades. Considere um valor menor, uma entrada maior, ou esperar mais tempo para juntar recursos.

Amortização extraordinária: o equalizador

Independentemente do sistema escolhido, você pode fazer amortizações extraordinárias ao longo do financiamento. Isso significa pagar valores além da parcela mensal para reduzir o saldo devedor.

Quando você amortiza, pode escolher entre:

Reduzir o prazo: Mantém a parcela e termina de pagar antes.

Reduzir a parcela: Mantém o prazo e paga menos por mês.

Para quem escolheu PRICE e se arrepende, amortizações frequentes podem aproximar o custo total do que seria no SAC. Não é perfeito, mas ajuda.

Uma estratégia comum é usar o FGTS para amortizar a cada dois anos (o intervalo mínimo permitido). Também vale direcionar o 13º salário, bônus, ou qualquer renda extra para esse fim.

O impacto da taxa de juros

Tudo que discutimos até aqui assume uma taxa de juros fixa. Mas muitos financiamentos têm taxas pós-fixadas, atreladas à TR (Taxa Referencial) ou ao IPCA.

Quando os juros sobem, as parcelas aumentam — em ambos os sistemas. Mas o impacto é diferente:

No SAC, o aumento afeta principalmente os juros, que já estão diminuindo naturalmente. O efeito é parcialmente compensado.

No PRICE, o aumento pode ser mais doloroso, especialmente no início do financiamento, quando a parcela é quase toda composta por juros.

Se você espera que os juros subam no futuro, o SAC oferece mais proteção. Se espera que caiam, o PRICE pode se beneficiar mais de uma eventual portabilidade para taxas menores.

A decisão final

Não existe resposta universal. A escolha entre SAC e PRICE depende da sua situação específica:

FatorFavorece SACFavorece PRICE
Renda atual alta
Renda atual apertada
Prazo longo (20+ anos)
Prazo curto (até 5 anos)
Pretende quitar antecipado
Quer minimizar juros totais
Prefere previsibilidade
Espera renda crescente
Espera renda estável/decrescente

Na dúvida, faça as contas. Simule os dois cenários com os valores reais do seu financiamento. Veja quanto vai pagar no total em cada caso. E só então decida.

Afinal, estamos falando de uma das maiores decisões financeiras da sua vida. Ela merece mais do que uma escolha no impulso.


Quer comparar SAC e PRICE com seus próprios números? Use nossa calculadora de financiamento SAC vs PRICE e veja exatamente quanto você pagaria em cada sistema.

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Equipe lifin

Especialistas em finanças pessoais e investimentos, ajudando você a organizar sua vida financeira.

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