Score de Crédito: a Média do Brasil é Boa, mas Metade dos Adultos Está Negativada
O score médio do país é 548 pontos, faixa considerada boa pela Serasa, mas 83,7 milhões de brasileiros estão negativados em 2026. Entenda como funciona.

O brasileiro médio tem um score de crédito considerado bom pela Serasa: 548 pontos, numa escala de 0 a 1.000. Ao mesmo tempo, o país fechou junho de 2026 com 83,7 milhões de pessoas com o nome negativado, o maior número da série histórica. Os dois dados não se contradizem. Eles mostram como o score de crédito funciona de verdade: ele mede o comportamento recente, não guarda uma sentença permanente sobre o passado de ninguém.
Este texto explica como o Serasa Score é calculado, o que os números de 2026 revelam sobre o crédito no país e o que de fato muda a sua pontuação, sem as promessas fáceis que costumam vender junto.
#Como o Serasa Score é calculado na prática
Desde janeiro de 2025, o Serasa Score é calculado em tempo real: a pontuação muda no momento em que uma nova informação chega, seja um pagamento em dia, uma parcela atrasada ou a quitação de uma dívida negativada. Antes, o cálculo levava dias para refletir uma mudança de comportamento. Essa atualização constante ajuda a explicar por que alguém que limpou o nome recentemente pode recuperar uma pontuação razoável bem mais rápido do que a intuição sugere.
A Serasa aponta seis fatores que entram nesse cálculo, com pesos diferentes:
- Pontualidade nos pagamentos. É o fator isolado de maior peso, responsável por cerca de 29% da pontuação.
- Tempo de relacionamento com o mercado de crédito. Contas e contratos antigos, mantidos em dia, pesam a favor.
- Uso do cadastro positivo. O histórico de pagamento de contas de consumo, como telefonia e financiamentos, cadastradas automaticamente desde a Lei do Cadastro Positivo.
- Negativações em aberto e tempo desde a quitação. Dívida negativada pesa contra; dívida já quitada pesa cada vez menos com o passar do tempo.
- Consultas recentes ao CPF. Muitos pedidos de crédito em pouco tempo sinalizam risco, mesmo sem nenhuma dívida em atraso.
- Quantidade e duração dos contratos ativos. Um histórico de crédito mais diverso e mais longo tende a somar pontos.
| Faixa | Pontuação | O que significa na prática |
|---|---|---|
| Baixo | 0 a 300 | Alta chance de recusa de crédito |
| Regular | 301 a 500 | Aprovação possível, mas com juros mais altos |
| Bom | 501 a 700 | Boa chance de aprovação, condições melhores |
| Excelente | 701 a 1.000 | Aprovação facilitada, entre as melhores taxas do mercado |
#O retrato de 2026: score médio bom, mas recorde de negativados
Em junho de 2026, o indicador mensal da Serasa mostrou 83,7 milhões de brasileiros com o nome negativado, alta pelo 18º mês seguido e o maior patamar de toda a série histórica. Em fevereiro, o número já tinha batido recorde ao chegar a 81,7 milhões; quatro meses depois, subiu mais 2 milhões. Hoje, 50,9% da população adulta do país está negativada, pouco mais da metade dos adultos brasileiros.
| Indicador | Junho de 2026 |
|---|---|
| Brasileiros negativados | 83,7 milhões (recorde da série histórica) |
| Parcela da população adulta negativada | 50,9% |
| Dívidas em aberto no país | 345,5 milhões |
| Valor total das dívidas em aberto | R$ 579,5 bilhões |
| Valor médio devido por pessoa negativada | R$ 6.920,63 |
Um levantamento mais amplo, o Mapa da Inadimplência: 10 Anos, divulgado pela Serasa Experian em março de 2026, olhou para essa mesma tendência num recorte mais longo. Em dez anos, o volume de dívidas em aberto no país cresceu 43%, chegando a 332 milhões de dívidas na época do estudo, e o valor médio devido por consumidor, já corrigido pela inflação, subiu 12,2%, de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13.
"O avanço da inadimplência ao longo da última década reflete uma combinação de fatores econômicos e comportamentais."
Boa parte do fator econômico tem nome: Selic elevada. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, atribuiu à taxa básica de juros a origem dos recordes seguidos desde janeiro de 2025, e afirmou não esperar reversão rápida do quadro, já que mesmo com cortes no radar a Selic deve seguir em patamar restritivo por um bom tempo. É essa mesma conta que torna o rotativo do cartão de crédito uma das portas de entrada mais comuns para a negativação, mesmo com a Lei 14.690 limitando o total de juros cobrado.
#Quem carrega essa dívida
O mesmo levantamento traça um perfil de quem está negativado hoje, e ele desmente a ideia de que inadimplência é sempre coisa passageira:
- 42% já estavam negativados há dez anos. Cerca de 34 milhões de pessoas entraram e nunca saíram completamente da inadimplência ao longo da última década.
- 48% ganham até um salário mínimo. A inadimplência segue concentrada na base da pirâmide de renda, onde qualquer imprevisto tem menos espaço de manobra.
- 41 a 60 anos é a faixa etária mais afetada, com 35,7% dos negativados, à frente de jovens e idosos.
- Mulheres já são maioria entre os negativados, 50,5% contra 49,5% dos homens, uma inversão em relação a anos anteriores.
#Seu CEP também pesa no score
O Mapa Score do Brasil, primeiro indicador da Serasa a cruzar pontuação de crédito com região, estado e faixa etária, mostrou que onde você mora também influencia a média. A diferença entre a região com maior e menor pontuação é de 46 pontos, o suficiente para mudar a faixa de classificação em casos no limite.

Amazonas (490) e Amapá (497) foram os únicos estados com média abaixo da faixa considerada boa. Por idade, o recorte também é grande: consumidores de 18 a 25 anos têm score médio de 505 pontos, contra 609 pontos entre os que têm mais de 65 anos. A diferença tem menos a ver com disciplina de pagamento e mais com tempo de histórico: quanto mais recente a entrada no mercado de crédito, menos dado o modelo tem para trabalhar a seu favor.
#O que realmente muda o seu score
Com o cálculo em tempo real e os seis fatores explicados, dá para transformar isso em ações concretas, sem depender de fórmula mágica:
- Pague em dia as contas que entram no cálculo. Cartão, empréstimo, financiamento e contas de consumo participantes do cadastro positivo pesam mais do que qualquer outro fator isolado.
- Mantenha o cadastro positivo ativo. Desde a lei que o tornou automático, é possível consultar sua situação e reativá-lo caso tenha sido desligado a pedido em algum banco.
- Evite pedir crédito em vários lugares ao mesmo tempo. Simular uma proposta não conta, mas várias consultas ao CPF em pouco tempo pesam contra, mesmo sem nenhuma dívida em atraso.
- Negocie e quite negativações antigas. Como o score é recalculado em tempo real, o efeito da quitação aparece rápido, mesmo que a recuperação completa leve mais tempo.
- Não encerre contas antigas só porque não usa mais. Tempo de relacionamento com o crédito conta a seu favor, e fechar a conta zera esse histórico.
Nada disso substitui o básico: sem uma reserva de emergência para absorver imprevistos, o caminho mais curto de volta ao cartão no rotativo, e de volta à negativação, continua aberto.
Fontes: Serasa Experian, indicador mensal de inadimplência (junho de 2026); Serasa Experian, Mapa da Inadimplência: 10 Anos (março de 2026); Serasa, Mapa Score do Brasil, 1ª edição (abril de 2025); Serasa, metodologia de cálculo do Serasa Score.


